::::::::Emancipar Coletivo Feminista::::::::

EMANCIPAR FEST II – 2012

PROGRAMAÇÃO

AQUECIMENTO II EMANCIPAR fest

 em Santos SP

Dia: 1/12

15h – Oficina de Skate para Mulheres

Local: Emisário de Santos

18h – Show da banda Futuro

18h45 – Apresentação do livro de Ludditas Sexxxuales Ética Amatoria del Deseo Libertario y las afectaciones libres y alegres

20h – Show da banda Analisando Sara

Local: Casa de Família – Rua Júlio Conceição, 241 – Santos SP

 

1° dia – Sexta Feira

07|12 ABERTURA EMANCIPAR FEST -VEGACY

Balada dykes4ever & Brothers and Sisters (se você é libertárix, mulher ou homem, venha!)

Shows: NOSKILL (joão pessoa/PB), Rakta (SP) e DERROTISTA (campina grande/PB)

DJ: Michelle Brito, Ferzita Durango e Lu Carvalho

R$ 10

20h

Local: Vegacy – Rua Augusta,2077  -Ao lado do cinesc – São Paulo – SP

2° dia – sábado
08|12OFICINAS EMANCIPAR FEST

11h às 12h45 – Oficina de Culinária VeganA com Rosane Calegari

13h – Oficina de Stencil com Viviane Silva

13h às 14h– Oficina de Bateria com Brunella Martina

Vagas: 10

14h– Oficina de Baixo com Mayra Vescovi

Vagas: 10

16h – Oficina de Berro com  Rebeca Domicino

Vagas: 10

18h – Apresentação do Rock Camp para Meninas Brasil 

18h30 às 21h
ESPAÇO ACUSTICO / FREE / FESTINHA
Venda de suquinhos, refris, cerveja, salgados e doces veganos

Local: JOC – R. Condessa de S. Joaquim, 215, próximo ao metrô S. Joaquim

3˚ dia – domingo

09|12 – SHOWS EMANCIPAR FEST

Bandas:
_ Anti-Corpos (SP)
_ Noskill (joão pessoa / PB)
_ Derrotistas (campina grande / PB)
_ Soror (DF)
_ Sub-Traídas (SP)

R$ 10

Início 17h30

Local: Livraria da Esquina – rua do Bosque, 1254 – Barra Funda

“Livro de Ludditas SExxxuales Etica Amatoria del deseo libertario se vendera durante las presentaciones de Emancipar”

2° Passo – Vulva La Vida, aí vamos nós!

19/01/12

Lá em Salvador, entre os dias 24 e 29 de janeiro de 2012 acontecerá a 2° edição do Festival VULVA LA VIDA, que é um festival feminista autônomo de contra-cultura produzido por mulheres. Na programação do fest encontramos oficinas de diversos temas, shows, debates.
Veja mais sobre, aqui: http://festivalvulvalavida.wordpress.com/2012/01/18/vulva-la-vida-2012/

Desde que fiquei sabendo da 1° CONVOCATÓRIA RIOT GRRRL de Salvador, em 2010, http://migre.me/7Qw9R comecei a sentir um frio na barriga. Tive uma vontade enorme de estar lá com aquelas mulheres, fazendo aquilo tudo acontecer, porém, nem cogitava a possibilidade de me fazer presente àquele evento.
No ano seguinte, novamente as meninas estavam organizando o festival. Uma 2° edição estava por vir, porém, apesar de o Coletivo Emancipar já estar um pouco mais estruturado e consistente, não pensava em ir. Apenas torcia para que, assim como a 1° edição, a 2° fosse um sucesso só!
Em dezembro do mesmo ano, aconteceu o TODASQUEER http://todasqueer.wordpress.com/
Durante os três dias de festival eu tive a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas e que me inspiraram muito. Entre essas pessoas estão Carla e Íris, mulheres que também organizam o VULVA LA VIDA e produzem o zine HISTÉRICA. Antes de conversar com elas, como já disse, não tinha em mente ir a Salvador e fazer parte do Vulva, mas ao longo de algumas conversas elas acabei percebendo que levar meninas do Emancipar para representar essa nova cena jovem feminista de São Paulo seria uma grande oportunidade de fazer uma ligação direta entre as cenas, trocar materiais independentes e compartilhar experiências. Então, decidimos que iríamos e começamos a organizar o “2°PASSO do Coletivo Emancipar – Festival Vulva La Vida, aí vamos nós!” a fim de arrecadar dinheiro para comprarmos passagens para irmos ao festival.

O 2°PASSO aconteceu no dia 8 de janeiro de 2012, num espaço muito bacana que familiares de uma membra do Coletivo cederam para nós. Diferentemente do nosso primeiro evento, o “1°PASSO”, desta vez tivemos a possibilidade de termos uma boa infraestrutura. Pudemos montar um palco, tivemos equipamentos de som, pudemos usar a cozinha, banheiro e tivemos muita liberdade para fazermos acontecer tudo aquilo que planejamos para o dia, e eu diria que não foi pouca coisa. Começamos servindo almoço: macarrão com molho de tomate; fizemos ‘gelinhos’ de sobremesa; ao longo do dia outras meninas do Emancipar levaram tortas salgadas maravilhosas e um doce divino de banana! E tudo vegano. Exibimos documentários: “Don’t Need You”, “Girls Rock”. Deixamos o palco aberto para qualquer pessoa que tivesse vontade de tocar, subir lá e berrar. Teve show da banda LA CHATTE e MURDOX. Oficinas de guitarra, bateria, stencil e skate. Armamos um bazar e uma banquinha com materiais independentes produzidos pelo Coletivo e por outros grupos também, como fanzines, cds, dvds, camisetas, bottons.

Como já disse, dessa vez houve uma melhor infraestrutura, mas isso porque um número quatro vezes maior de pessoas ajudaram a organizar tudo, seja dando oficina, fazendo comida, indo atrás do espaço, emprestando instrumentos para as pessoas que quiseram tocar ao longo do dia e também às oficineiras, cuidando da venda das bebidas, roupas, e afins, ficando na entrada recebendo as colaborações, divulgando o “2°PASSO” nas redes sociais, fazendo o flyer do evento, tocando com sua banda, arrumando e organizando o espaço antes do início e após o término, enfim, em TUDO! Coisas que só foram possíveis porque o resultado da união jovem feminista está começando a aparecer. Percebemos que a cada reunião, a cada evento, a cada dia estamos criando laços mais fortes entre nós todas, daqui de São Paulo e também com meninas de outros Estados. Isso significa que estamos no caminho certo.
Ao final dessa maratona riot, contamos o dinheiro e conseguimos comprar uma passagem e meia! Em UM dia, NÓS conseguimos! Quando digo NÓS, digo por TODXS que compareceram no nosso “rolê” e ajudaram de alguma forma, pois tudo o que estamos fazendo, todo nosso esforço está sendo feito para TODXS, independente de gênero, cor da pele, cidade que mora, idade. É por que queremos um mundo igualitário de fato, onde as pessoas não precisem mais lutar para terem respeito, autonomia, liberdade, e estes simplesmente se deem, naturalmente. Não será apenas um determinado grupo de pessoas que serão atingidas através de nossas atividades e as de tantos outros coletivos e organizações com ideais semelhantes às nossas. Acreditamos, porém, que para alcançarmos isso tudo, é necessário acabar com o machismo, o patriarcado e todo e qualquer sistema comportamental e ético que se baseie na dominação de um sobre o outro, fortalecendo grupos de pessoas (que não são minoria, pois homens brancos heterossexuais de classe média alta e meia idade que preenchem esta faixa) que sofrem discriminação, humilhação, são privadas de seus direitos e são vítimas de desigualdade, como nós mulheres, negrxs, não-heteros, e trabalhadorxs. E então, àquelas pessoas que dizem que o feminismo segrega, divide, é contra homens, só lamento. Queremos mudar o mundo começando por nós.

Então, VULVA LA VIDA, aí vamos nós! E que nos aguardem, pois estes foram apenas os primeiros passos de uma longa caminhada que já vem sendo feita por várias gerações de mulheres e que nós do Emancipar fazemos questão de darmos continuidade a ela.

1º Passo

O Coletivo Emancipar Feminista surgiu a partir da percepção de que hoje são poucas as bandas de meninas e menor ainda o número de bandas feministas ou, ao menos, politizadas. Muito pequena também é a quantidade de fanzineiras. Pensamos em formas de incentivar nossa geração a tocar instrumentos, compor músicas, e formar bandas e grupos de cunho político e consciente. A que nos pareceu mais interessante foi a de encontrarmos um espaço próprio, autônomo, feminista, coletivo, que possua um estúdio musical. E aí nos lembramos de espaços como o Espaço Impróprio e a Casa Mafalda. Vimos que não é nada impossível alcançarmos esse nosso objetivo, basta muito empenho e clareza em nossas decisões.
Passamos a ser um coletivo, de fato, somente após focarmos nesta ideia de começarmos a obtenção dos acessórios do nosso futuro estúdio musical e decidimos, então, realizar no dia 03/12/11 o 1° PASSO do Coletivo Emancipar. Neste momento, outras meninas somaram-se a nós (que até então éramos apenas o fanzine Emancipar zine feito por duas de nós) e com isso, demos conta de organizar esse nosso primeiro encontro enquanto coletivo. Esse processo de preparação foi fundamental no fortalecimento e na criação maior de laços entre as integrantes do Coletivo, pois antes nunca nenhuma de nós já havia promovido alguma coisa semelhante, ainda mais em conjunto, da forma que foi.
Ao final do evento, acabamos conhecendo outras pessoas e percebendo que na realidade existe uma quantidade enorme de mulheres que têm vontade de ver (re)nascer a cena feminista jovem de uma forma mais forte e que gostaram da nossa iniciativa.
Dizemos ‘jovens’ pois é o que somos e é também o grupo de pessoas que temos maior contato. Além de ser também  uma geração que, ao meu ver, tem muitas ideias, muito acesso à informação, porém não enxergam o feminismo como algo necessário.  Muitos acreditam que já que hoje temos  Marta no futebol feminino e Dilma na presidência, não temos mais pelo que lutar. Mas acreditamos que, muito pelo contrário, temos bastante ainda para ser mudado.  Se não, nós mulheres não seríamos assassinadas todos os dias pelo simples fato de sermos mulheres, não receberíamos menores salários que os homens que exercem a mesma função no trabalho, não seríamos proibidas de decidirmos sobre nossos corpos e poderíamos andar na rua com qualquer roupa ou até mesmo sem nenhuma e não teríamos que nos preocupar com estupradores, poderíamos decidir se queremos ou não ser mães, quando subíssemos nos palcos para tocar com nossa banda, não ouviríamos comentários sobre nossos corpos e, sim, sobre nossos talentos, e mais uma porção de coisas que não caberiam num só texto. Claro que existem, sim, grupos de mulheres, lésbicas, anarcofeministas, e etc, porém infelizmente não se vê muita união entre elas. Mas entendo que são exemplos de resistência de certa forma, pois ainda (r)existem. Mas grupos de meninas da minha faixa etária aqui em São Paulo, eu nunca vi e acho isso bem sintomático.

Desde mulheres que estão na militância desde o ano que eu nasci, ou antes, até meninas que assim como eu conheceram e se identificaram com o feminismo há não muito tempo, e também pessoas que acabaram por olhar o mundo de outra perspectiva após conhecer alguma de nós do Coletivo, puderam neste dia trocar ideias literalmente. A presença de todas essas mulheres nos serviu de muita força, pois elas mostraram pra gente que não estamos de forma alguma sozinhas e somos muitas, que precisávamos mesmo era de um incentivo a mais para irmos nos cumprimentar.  Depois deste 1° PASSO, nosso Coletivo criou um grupo no facebook e ficamos surpresas em ver a quantidade de meninas empolgadas com tudo o que está acontecendo e com muita vontade de ajudar no que for necessário.

Tiramos algumas lições importantes relacionadas a esse processo de organização. Agora somos um grupo em que um número muito maior de meninas ajuda efetivamente, temos mais uma edição do nosso Emancipar zine, e algumas outras pessoas acabaram nos conhecendo. Sentimos que estamos no caminho certo e estamos dando continuidade a várias atividades desde então e, em breve, postaremos aqui mais sobre elas.